A fotografia como modelo narrativo e suporte de reflexão teórica
em Un monde sans rivage, de Hélène Gaudy
DOI:
https://doi.org/10.51427/com.jcs.2025.8.5Palavras-chave:
diegese, fotografia, Hélène Gaudy, paisagem natural, sombraResumo
Neste artigo atentamos no modo como a fotografia desempenha um conjunto de funções estruturais na composição narrativa da obra de Hélène Gaudy (n.1979), Un monde sans rivage (2019). Em primeiro lugar, analisamos a centralidade do conjunto de fotografias de Nils Strindberg na arquitetura da diegese e como modelo estilístico. A tentativa de reconstrução da história deste fotógrafo e dos seus companheiros de viagem August Andrée e Knut Frænkel, que partiram em exploração dos territórios então ainda desconhecidos do Ártico, resulta diretamente do contacto, por parte do narrador, com o registo fotográfico de Strindberg. Notamos também que as fotografias, danificadas pelo tempo e pelo gelo, influenciam a voz do narrador, que adota o imaginário fotográfico como modelo. Num segundo momento, pensamos no modo como a fotografia é o ponto de partida para uma crítica ao pensamento expansionista e a uma visão utilitarista da natureza, representados pelo objetivo inicial dos viajantes: fotografar a paisagem de um ponto de vista distanciado. Finalmente, discutimos como, por oposição ao modelo anteriormente referido, a narrativa apresenta as fotografias danificadas, as suas sombras e falhas, como uma forma de representação da paisagem que a revela nos seus próprios termos.
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Referências
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