A fotografia como modelo narrativo e suporte de reflexão teórica

em Un monde sans rivage, de Hélène Gaudy

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51427/com.jcs.2025.8.5

Palavras-chave:

diegese, fotografia, Hélène Gaudy, paisagem natural, sombra

Resumo

Neste artigo atentamos no modo como a fotografia desempenha um conjunto de funções estruturais na composição narrativa da obra de Hélène Gaudy (n.1979), Un monde sans rivage (2019). Em primeiro lugar, analisamos a centralidade do conjunto de fotografias de Nils Strindberg na arquitetura da diegese e como modelo estilístico. A tentativa de reconstrução da história deste fotógrafo e dos seus companheiros de viagem August Andrée e Knut Frænkel, que partiram em exploração dos territórios então ainda desconhecidos do Ártico, resulta diretamente do contacto, por parte do narrador, com o registo fotográfico de Strindberg. Notamos também que as fotografias, danificadas pelo tempo e pelo gelo, influenciam a voz do narrador, que adota o imaginário fotográfico como modelo. Num segundo momento, pensamos no modo como a fotografia é o ponto de partida para uma crítica ao pensamento expansionista e a uma visão utilitarista da natureza, representados pelo objetivo inicial dos viajantes: fotografar a paisagem de um ponto de vista distanciado. Finalmente, discutimos como, por oposição ao modelo anteriormente referido, a narrativa apresenta as fotografias danificadas, as suas sombras e falhas, como uma forma de representação da paisagem que a revela nos seus próprios termos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia Autor

Bárbara Carvalho Sexauer, Investigadora independente, Portugal

Bárbara Sexauer é licenciada em Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Concluiu o Mestrado em 2024 e a sua dissertação incide sobre representações da paisagem na literatura, particularmente nas obras de Philippe Jaccottet e Hélène Gaudy. Foi bolseira do projeto Port-Asia do Centro Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa e co-editora do volume Literatura e Vida Intelectual em Língua Portuguesa na Ásia e no Índico (Centro Científico e Cultural de Macau, 2023).

Referências

Bailly, Jean-Christophe. 2008. L’Instant et son ombre. Une histoire de photographie. Paris: Éditions du Seuil.

Bailly, Jean-Christophe. 2022. Une éclosion continue. Paris: Éditions du Seuil.

Brito, Eduardo. 2016. “Wandering in a Sea of Ice Voyage, Narrative and Resonance in the photographs of Nils Strindberg” In SOPHIA Crossing Borders, Shifting Boundaries – The Aura of the Image, 1, 15-29.

Delcour, Manon. 2022. “Traces «photocartographiques» dans Un monde sans rivage, d’Hélène Gaudy” In Littérature 2022/3, 207, 6-92.

Gaudy, Hélène. 2019. Un monde sans rivage. Arles: Actes Sud.

Gaudy, Hélène. 2019b. “Hélène Gaudy: «Les métamorphoses que subit notre monde changent tout notre régime de valeur, et le langage lui-même»” In Diacritick [em linha]. https://diacritik.com/2019/09/11/helene-gaudy-les-metamorphoses-que-subit-notre-monde-changent-tout-notre-regime-de-valeur-et-le-langage-lui-meme/.

Downloads

Publicado

2025-12-30

Como Citar

Carvalho Sexauer, Bárbara. 2025. «A Fotografia Como Modelo Narrativo E Suporte De reflexão teórica: Em Un Monde Sans Rivage, De Hélène Gaudy». Compendium: Journal of Comparative Studies | Revista De Estudos Comparatistas, n. 8 (Dezembro). Lisboa, Portugal:57-73. https://doi.org/10.51427/com.jcs.2025.8.5.

Artigos Similares

1 2 3 > >> 

Também poderá iniciar uma pesquisa avançada de similaridade para este artigo.